domingo, 8 de maio de 2016

Cansada

Eu estou tão cansada... cansada de ver que eu não sou verdadeiramente importante pra aqueles que eu acho importantes pra mim... cansada de sorrir e ninguém realmente se importar com meu sorriso... cansada de ir dormir e acordar e ninguém pensar em tentar saber se tá tudo bem. Tudo realmente bem... eu tô cansada de passar pela vida das pessoas e não se importarem. Cansada de ignorarem tanta coisa nos meus olhos. Cansada de ignorarem o que eu tenho a dizer, e quando eu digo, não opinam com verdade em suas palavras. Isso quando não ignoram e tentam mudar de assunto...
  Eu queria só que alguém perguntasse realmente se importando comigo. Que alguém me abraçasse quando eu preciso de um abraço, e dissesse "Boa noite, durma bem. Te amo" ou simplesmente um "Senti sua falta"... são coisas tão pequenas... talvez apenas um olhar, um sorriso de quem se importa. Eu estou cansada de ser uma sombra a passar na vida. Uma sombra que sorri e ninguém vê; que acorda e ninguém se importa; que dorme e ninguém diz um mísero boa noite...
Por favor, seja essa pessoa pra mim. Não me deixe passar desapercebida, passar triste e esquecida. Seja a pessoa a me dar boa noite e bom dia, minha flor. A pessoa a dizer senti sua falta, queria você aqui...
É tão difícil isso?

p.s.: texto de 03/01/2016 - 02:58am


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Eu Entendo

Parece que não, mas eu entendo, as marcas em meu corpo são prova disso. Eu entendo todas as noites choradas num travesseiro, sem consolo. Eu entendo a dor que parece que vai nos esmagar por dentro, até não restar nada além dela. Eu entendo as vezes que você diz "estou bem" mesmo querendo morrer. Eu entendo os sorrisos cuja única função era esconder a dor para não perguntarem; se perguntassem seria muito difícil de explicar a verdade. Eu entendo os casacos em dias tão quentes, os tubos de base e corretivo e as pulseiras. Eu entendo os lugares em que você esconde suas "amigas", já que a única coisa que importa é que não descubram, que você não fique longe delas. Eu entendo o tempo a mais com o chuveiro ligado, as lágrimas que começam do nada e os cortes coçando e ardendo. Eu entendo a dor que você sente e entendo as manchas de sangue nas suas coisas. Eu entendo a dor que as vezes aparece em seus olhos, mas exceto quando você está só você a esconde rápido demais para perceberem; eu entendo os gritos silenciosos, o desejo que alguém perceba e te salve de si mesma, ao mesmo tempo em que você não quer que ninguém descubra. Eu entendo o medo de magoar alguém: você não quer que outros passem pelo que você passa... Eu entendo você não entender por que as pessoas importantes pra você vão ficando tão tristes ao ver o que está acontecendo com você... afinal, você esconde tão bem. Eu entendo a sua preocupação em contar a alguém.
Mas eu também entendo as lágrimas da sua mãe ao ver o sangue nas suas roupas, no seu quarto, a preocupação que ela tem com você. Eu entendo o medo que seus amigos sentem de que você pode fazer algo sério, entendo o medo deles ao pensar em falar com você, já que eles acham que você possa ficar ainda pior.
Eu entendo tudo, entendo os dois lados.
Eu entendo porque eu já fui você, a pessoa que não vê outra saída além da morte, a pessoa que só sente aquela dor, aquele peso na alma. E eu sou as pessoas que querem te ajudar, eu sou as pessoas que você rejeita, que você tenta afastar, eu sou aqueles que querem você bem, com um sorriso real. Eu sou aquela pessoa que vê as mães chorarem de dor, de desesperança; que vê a preocupação de seus amigos, o medo que eles sentem de perder você.
Por favor, se deixe ajudar. Por favor, busque ajuda. Por favor, não se entregue; ou melhor: nem comece. Por favor. Eu te peço: reaja, viva, mude, evolua. Por favor, se livre desse vício. Eu te imploro... eu te imploro por que eu te entendo.