quarta-feira, 22 de junho de 2016

Palavras Reclusas

Tanto falamos
Mas não confessamos
Tantas palavras ditas
Mas não aquelas
Que dariam fim a nosso martírio
Palavras vãs
Ditas para ocultar as batidas do coração
Tanto falamos
Mas não dizemos
Aquilo que está em nosso coração
Que faz a mente voar
E o coração apressar
Tantas palavras ditas
Tão somente para
Esconder as batidas dos corações
Que em conjunto palpitam
Mas aquelas que nos libertariam
Reclusas permanecem
Em um profundo recanto
Do coração
Presas, escondidas, ocultas e quase que inexistentes
São estas as palavras
Que querem pelos lábios escaparem
São essas as palavras
Que se deseja falar
Mas não se fala

Tanto se fala
Mas não para dizer o tão singelo
O tão ao mesmo tempo temido
“Eu te amo”

Por: Liliane, 05.04.2016
15h16min

sábado, 18 de junho de 2016

Cartas à Cristiano - Carta Um

Sorocaba, 13 de Junho de 2016

Olá Cristiano, 
                        Como vai? Agora entrei em uma mania de escrever cartas que provavelmente nunca serão enviadas e muito menos lidas por você. Sabe, nessas cartas eu me sinto livre para confessar tudo o que enche meu coração e me dá um nó na garganta. Eu confesso sentimentos, paixões, pensamentos e devaneios em um papel que tantas vezes mostra-se mais acolhedor que as pessoas ao meu redor. Cristiano, existe um sentimento em meu coração que o faz bater apressado e que há muito quero confessar a ti, mas tenho medo de o fazer. Nessa carta, nessa folha de papel, eu sinto-me livre para confessar tão profundo sentimento sem temer um "E se?" que a vida possa trazer.
     Eu estou apaixonada. Totalmente, perdidamente, completamente apaixonada, e não é por qualquer pessoa, por qualquer garoto... É por você. É por um alguém mais velho, mas conseguiu deter meu coração em tuas mãos. A palavra que eu usaria para defini-lo é uma palavra muito distante, uma palavra que abriria um vale, uma cratera sem fim entre eu e você; mas, para mim, eu não o vejo tão distante. Eu te vejo como um amigo próximo, com quem eu posso contar, para quem eu posso revelar segredos e desabafar. Provavelmente, você já saiba disso, que estou apaixonada por você, mas eu não sei a razão de ainda não tê-lo dito a mim. Talvez, você não queira deixar-me desconfortável, ou assim como eu, tenha medo de um "E se?"... Talvez goste de mim também, mas eu acho que não há muita probabilidade disso. Eu tenho medo de não ser correspondida, medo de acabar com a amizade, e eu sei que você, por outro lado, tem medo de ser iludido. Ah, a ilusão. Um pássaro que carrega nossa alma e coração em suas asas, e não nos deixa descer novamente à terra, Entretanto, uma coisa eu garanto: eu jamais iludiria você.
     Eu sei que essa carta talvez jamais saia de minhas mãos, que talvez jamais seja enviada, que talvez jamais seja lida por você, ou ainda, talvez você jamais sequer saiba da existência dela, mas isso não altera o fato de meu coração apressar-se em simplesmente pensar em você, ou que minhas mãos suem de nervosismo ao ver uma mensagem que pode ser um sinal pra mim, mas que pra você, não seja nada. A cada dia eu voo mais alto no que pode ser apenas um sonho, no que pode ser apenas a ilusão de uma menina apaixonada por alguém inacessível, como acontece com tantas meninas apaixonadas... Espere! Eu escrevi menina? Menina já não mais sou, agora sou adolescente, E adolescentes tem infinitas capacidades de sonhar com amores e ademais coisas impossíveis.
     Aqui estou eu, então, uma adolescente apaixonada que confia suas paixões a uma branca folha de papel, como se um pouco de celulose e tinta fossem capazes de aliviar uma alma; ou como se fossem capazes de dizer tudo a você: tudo o que sinto em um recanto de meu coração. Elas até podem contar, mas antes, eu devo enviar essa carta a ti, o que eu penso ser incapaz de fazer. 
     O azul límpido de um céu de outono faz-me indagar, sonhar e imaginar dezenas de hipóteses, e grande parte delas terminam com um aconchego apaixonado em teus braços. O azul desse céu me faz também relembrar do azul do céu do lugar de onde vim, da cidade onde nasci e cresci. Lá, mesmo com nuvens, o céu permanece azul, um azul puro e profundo, quase que surreal. Quanto o brilho quente do sol encontra as nuvens, o céu vira uma mistura de tons de azul, rosa, roxo, laranja e amarelo... E o azul torna-se ainda mais profundo. Por que eu falei do céu de Brasília, você deve estar a se perguntar. E eu já respondo: aquele céu me faz pensar em amor, me faz penar em um puro coração, onde os sentimentos, como os raios de sol, colorem tudo, tornando o coração e o amor ainda mais belos e surreais.
     Eu quero que um dia, você veja esse céu comigo, que você veja os espetáculos de cores, a pureza do céu, o brilho do sol e toda a paz que tudo isso traz. Eu quero ver outra vez o por do sol ao lado seu.
     Logo eu completo uma página, frente e verso, completos. Confissões de um coração apaixonado e amedrontado. Tudo em uma carta que quase certamente jamais encontrará tuas mãos; uma carta sobre a qual você talvez jamais saiba; sobre a qual teus olhos jamais pousem ou sobre a qual eu jamais te conte.
     Cristiano, eu estou apaixonada por você. É você o meu crush, e automaticamente, eu sou a mina do teu shipp.
     Enfim, me despeço aqui. Fique com Deus, seja feliz, e que essas palavras não tenham o poder de mudar a nossa amizade.

                                                               Beijos, Liliane - 13.06.2016





quarta-feira, 15 de junho de 2016

Nova Série de Postagens

Olá gente! Estou só passando pra avisar que iniciarei uma nova série de postagens no blog, e essas postagens serão cartas. Essas cartas são cartas que escrevo durante as aulas ou quando simplesmente não sei o que fazer, e são endereçadas à pessoa por quem estou apaixonada, contudo, eu vou colocar um nome fictício nessa pessoa, para não expôr sua identidade. O nome que colocarei no indivíduo é "Cristiano"; imagino que grande parte de vocês não saiba, mas meu livro predileto é "A Marca de Uma Lágrima", e nesse livro, a personagem principal é Isabel: uma adolescente de 14 anos que se vê apaixonada por Cristiano, seu primo, e passa a escrever poemas para ele e entregar como e fosse sua amiga Rosana, que tem um relacionamento com Cristiano. À medida da narrativa de história, Isabel vai apaixonando-se mais e mais por Cristiano, até que em uma confissão desesperada de amor, ela revela sua paixão. Nas cartas que estarei postando aqui, como referido acima, o  nome da pessoa por quem estou eu apaixonada será Cristiano, e não, ele não é meu primo e nem tem quaisquer relações familiares. Esse nome se deve a apenas ser um amor que eu tenho por inalcançável e no qual a cada dia, a cada palavra, eu naufrago mais. Enfim, é isso. Beijos no coração e fiquem com Deus! ;* <3


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Menina Minha, Linda

Menina minha, linda
Não acredite nisso, flor
Isso é morte disfarçada
Bela não serás, amor meu
Não vá por aí
A cada dia, coração
Vais querer mais
Seu corpo sofrerá
Mas você isso não perceberá
Mente buscando por mais
Em briga com o corpo
O estômago vai chorar
E pedir por um mero bocado de comida,
Por favor!
Mas alimento ele não terá
Pois alimentá-lo tu não vais querer

Com o tempo, teus ossos saltarão da pele
E ela vai ferir-se
Cabelos no ralo, finos e fracos, foscos
Pedaços de unhas amareladas cairão
Garganta ferida e dentes frágeis,
Desgastados estarão
Ossos batendo uns contra os outros,
Por baixo da pele
Qualquer bocado de comida que vieres a ingerir
Te fará infernal dor sentir!..

Menina minha, linda
Não caia nessa, flor minha
Isso já não é morte disfarçada
Pois agora revela todas as suas garras e dentes
Que prender a ti querem
Bela não serás, amor meu
Não vá por aí, coração
É caminho de dor e aflição
Irritada, fraca e faminta
Ana e Mia amigas não são
Reais também não são
Apenas dor querem causar
Ao fim, frágil tu serás
Em uma cama num hospital
As pessoas ao teu redor lágrimas derramando
Com dor estampada nos semblantes, ao verem
Cada um dos ossos
Que com tanto cuidado tu cobrias
Roupas largas os escondiam
Escondiam teus ossos
Que para ti, de gordura e feiura não passavam
Somente à ti existiam

Um último bip da máquina que diz
Que ainda viva estás
Mas aí acabam
Os sons de tua tão curta vida
Um último pulsar de um fraco e cansado coração
E agora
Nada mais há
Exceto um saco de ossos sobre
A fria e rígida cama

Minha menina, linda
Se foi e agora não mais existe
Essa morte levou a ti
E não só a ti
Muitas caem nas mesmas armadilhas
Nessas falsas Ana e Mia
Bela tu não podes ser,
Bela tu deixastes de ser à elas
Entregar-se
Apenas ossos repousam no a caixa de madeira
Que para sempre te prenderá

Ana e Mia ao redor riem
Das tantas vítimas que já tiveram
E agora de ti também
Mais uma menina linda
Menina moça
Que a elas se entregou
Partem a caça de mais uma
Para à ruína da terra trazerem
E divertimento nos sofrimentos encontrarem

Menina minha, linda
Fuja delas
Refugie-se em paz
Aceite-se como és
Perfeita de teu modo
Fuja dessa morte disfarçada e escancarada
Por: Liliane, 17.02.2016
15h50min

Eu Não Sei

       Eu não sei a razão de ainda guardar e esconder de você que estou completa, perdida e incondicionalmente apaixonada por você. Você é a primeira pessoa com quem falo ao acordar, e também a última na hora de dormir. Você conseguiu cativar  dominar meu coração e minha mente. Sua voz ressoa em meu ouvidos e eu sinto meu coração bater mais rápido.
       Quando estou ao seu lado ou falando com você, mesmo que eu esteja passando por um inferno, não parece tão ruim. Você me dá paz em meio à guerra. Você faz meu coração pulsar quando estou prestes a desfalecer. Você me faz sorrir em meio às lagrimas e amar em meio à dor. Você me faz inteira quando estou em pedaços e me ajuda a ser diferente, a mudar. Sempre pra melhor. Você me dá vontade de estar mais próxima de Deus e me faz querer ser uma pessoa pura, melhor, sorridente, feliz e que auxilia ao próximo.
       Então eu realmente não sei porque ainda não te contei; você disse que talvez uma chance eu teria, mas e se quando eu contasse tudo viesse a desmoronar? E se eu for tão somente rejeitada, sensação essa que já tão bem conheço? E se toda essa "proximidade" seja quebrada e entre nós se abra um vale intransponível do desconhecimento entre duas pessoas que já se conheceram outrora?
       Eu não comecei a falar com você por gostar de você, mas comecei a gostar de você por falar com você.
       A cada dia é quase impossível que eu não me apaixone mais por você. Os seus olhos acompanham os meus pensamentos, iluminando meus sonhos; sua voz embala meus devaneios, sempre me fazendo voar mais alto nessa (des)ilusão. Entretanto, como dizem, quanto mais alto o sonho, maior a queda. Como eu não queria ter que cair!.. gostaria de permanecer a flutuar no brilho dos teus olhos e de ter meus devaneios embalados pela tua voz, tão serena e suave.
       Eu, na verdade, sei sim qual a razão de não ter ainda te contado que estou apaixonada. Tenho medo; medo de dar errado, medo de falhar, medo de acordar desse sonho tão real mas que tanto ilude, medo de acabar com sequer essa amizade, medo de tudo. Mas estará você disposto a me dar a paz, a fazer meu coração pulsar, a sorrir e amar, a me fazer inteira e me ajudar, me fazer querer ser melhor, me fazer querer estar mais próxima de Deus, me fazer querer ser mais pura, sorridente e feliz mesmo depois que souber disso?
       Eu tenho medo, e por isso, esse sonho não passa de um segredo de uma garota iludida pelos desejos do coração.
Por: Liliane, 07.06.2016
17h57min

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Dois Anos

Já vai fazer dois anos. Em minha memória, parece que foi ontem, mas bem eu sei que não foi. Ainda me lembro claramente daquela madrugada, na qual eu me senti finalmente estar soterrada em sentimentos que eu não era capaz de identificar. Eu, na verdade, não sentia nada exceto uma dor tão grande que parecia querer me engolir, e ao mesmo tempo, um “amortecimento”, como se não fosse eu que estivesse vivendo, ou como se eu fosse somente uma “casca vazia a passar pela vida”. A vontade de chorar me dominava, mas meus olhos permaneciam secos. Os falsos sorrisos e “estou bem” regiam meus dias. Eu lia, escrevia, desenhava, dormia e assistia; durante um tempo até adiantou, mas um dia, o vazio tornou-se grande demais, e então, nada do que eu fazia adiantava. Antes daquela madrugada, há muito tempo eu já buscava outro modo de eliminar aquela dor para quando o que eu fazia já não fosse o suficiente. E esse dia chegou.
Naquela madrugada, pela primeira vez eu desmontei um apontador. Naquela madrugada, pela primeira vez eu deslizei uma lâmina contra minha pele, mas apenas um corte não foi o suficiente para que tudo aquilo passasse. Naquela madrugada, uma nova fase se iniciou em minha vida. Naquela madrugada, eu embarquei em uma luta quase impossível de ser vencida. Uma luta que jamais seria e nem ninguém jamais foi capaz de vencer por si só. Uma luta sem fim, uma luta que eu luto todos os dias, e que eu sei que vou vencer um dia, pois Cristo luta por mim; Ele não só luta como já venceu essa batalha na Cruz. Nessa luta, entretanto, eu já ganhei mais marcas do que achei que seria possível; mais marcas do que posso contar. Marcas em meu corpo e em minha alma.
Essa luta agora terá um fim, e serei eu a vencedora, pois deixei de lutar sozinha, como por tanto tempo insisti em lutar.
Já vai fazer dois anos, que eu luto, luto pelo fim desse vicio. Se às vezes eu falho? Sim, assim como ocorre com todos os vícios. Mas eu estou lutando, e eu vou lutar até ganhar, ou o mais próximo disso que eu possa chegar.
Já vai fazer dois anos, mas essa data não deve significar dor, mas sim esperança. Não deve ser a marca do principio da luta, mas sim o marco de que “tudo posso nAquele que me fortalece.” Deve ser a marca de que Cristo me trouxe mais uma vez a paz, o amor próprio, a felicidade, a vida, e acima de tudo, me deu a chance de viver junto ao Seu lado na eternidade.
Então sim, vai fazer dois anos, mas também vai fazer dois anos que eu pude começar a entender que independente de como eu ou você estamos, que independente do quão fundo nos encontramos no poço, não importa o quanto negamos o amor infinito do Pai, Ele ainda nos busca, limpa do mal, protege, ama e perdoa. 

Por: Liliane, 11.05.2016
13hrs44min


Releitura Poema "Quando Você Me Beijou", Livro "A Marca de Uma Lágrima"

Quando você me beijou
Senti o mundo desaparecer
E deixar só eu e você
Quando você me beijou
Senti que ia até as nuvens
E que em meio às estrelas
Iria permanecer
Quando você me beijou
Senti minhas pernas falharem
Mas você me segurou
Quando você me beijou
O tempo parou
Meu coração pulou
E o amor me dominou
Quando você me beijou
Nada mais importou
E então, amei mais você
Quando você me beijou
Meus sonhos tomaram forma
Tornaram-se reais memórias
Quando você me beijou
Minha imaginação saiu
Da imaginação
E veio para a realidade
Quando você me beijou
Arrepios percorreram todo o
Meu corpo
Como chocolate que derrete na boca
Quando você me beijou
Me perdi no infinito
E me encontrei no finito
Ato de amor que é tão definido
Quando você me beijou
Me vi
Rumo a mais intensa paixão
Quando você me beijou
Me vi morrer
Para então renascer
Quando você me beijou
Vi de olhos fechados
Que era você
A minha perdição e salvação
A minha coragem e covardia
O meu céu e meu inferno
O meu finito traço de amor infinito. 
Por: Liliane, 18.05.2016
15hrs43min