Sorocaba, 13 de Junho de 2016
Olá Cristiano,
Como
vai? Agora entrei em uma mania de escrever cartas que provavelmente nunca serão
enviadas e muito menos lidas por você. Sabe, nessas cartas eu me sinto livre
para confessar tudo o que enche meu coração e me dá um nó na garganta. Eu
confesso sentimentos, paixões, pensamentos e devaneios em um papel que tantas
vezes mostra-se mais acolhedor que as pessoas ao meu redor. Cristiano, existe
um sentimento em meu coração que o faz bater apressado e que há muito quero
confessar a ti, mas tenho medo de o fazer. Nessa carta, nessa folha de papel,
eu sinto-me livre para confessar tão profundo sentimento sem temer um "E
se?" que a vida possa trazer.
Eu estou apaixonada. Totalmente, perdidamente, completamente
apaixonada, e não é por qualquer pessoa, por qualquer garoto... É por você. É
por um alguém mais velho, mas conseguiu deter meu coração em tuas mãos. A
palavra que eu usaria para defini-lo é uma palavra muito distante, uma palavra
que abriria um vale, uma cratera sem fim entre eu e você; mas, para mim, eu
não o vejo tão distante. Eu te vejo como um amigo próximo, com quem eu posso
contar, para quem eu posso revelar segredos e desabafar. Provavelmente, você já
saiba disso, que estou apaixonada por você, mas eu não sei a razão de ainda não
tê-lo dito a mim. Talvez, você não queira deixar-me desconfortável, ou assim
como eu, tenha medo de um "E se?"... Talvez goste de mim também, mas
eu acho que não há muita probabilidade disso. Eu tenho medo de não ser
correspondida, medo de acabar com a amizade, e eu sei que você, por outro lado,
tem medo de ser iludido. Ah, a ilusão. Um pássaro que carrega nossa alma e
coração em suas asas, e não nos deixa descer novamente à terra, Entretanto, uma
coisa eu garanto: eu jamais iludiria você.
Eu sei que essa carta talvez jamais saia de minhas mãos, que
talvez jamais seja enviada, que talvez jamais seja lida por você, ou ainda,
talvez você jamais sequer saiba da existência dela, mas isso não altera o fato
de meu coração apressar-se em simplesmente pensar em você, ou que minhas mãos
suem de nervosismo ao ver uma mensagem que pode ser um sinal pra mim, mas que
pra você, não seja nada. A cada dia eu voo mais alto no que pode ser apenas um
sonho, no que pode ser apenas a ilusão de uma menina apaixonada por alguém
inacessível, como acontece com tantas meninas apaixonadas... Espere! Eu escrevi
menina? Menina já não mais sou, agora sou adolescente, E adolescentes tem
infinitas capacidades de sonhar com amores e ademais coisas impossíveis.
Aqui estou eu, então, uma adolescente apaixonada que confia suas
paixões a uma branca folha de papel, como se um pouco de celulose e tinta
fossem capazes de aliviar uma alma; ou como se fossem capazes de dizer tudo a
você: tudo o que sinto em um recanto de meu coração. Elas até podem contar, mas
antes, eu devo enviar essa carta a ti, o que eu penso ser incapaz de
fazer.
O azul límpido de um céu de outono faz-me indagar, sonhar e imaginar
dezenas de hipóteses, e grande parte delas terminam com um aconchego apaixonado
em teus braços. O azul desse céu me faz também relembrar do azul do céu do
lugar de onde vim, da cidade onde nasci e cresci. Lá, mesmo com nuvens, o céu
permanece azul, um azul puro e profundo, quase que surreal. Quanto o brilho
quente do sol encontra as nuvens, o céu vira uma mistura de tons de azul, rosa,
roxo, laranja e amarelo... E o azul torna-se ainda mais profundo. Por que eu
falei do céu de Brasília, você deve estar a se perguntar. E eu já respondo:
aquele céu me faz pensar em amor, me faz penar em um puro coração, onde os
sentimentos, como os raios de sol, colorem tudo, tornando o coração e o amor
ainda mais belos e surreais.
Eu quero que um dia, você veja esse céu comigo, que você veja os
espetáculos de cores, a pureza do céu, o brilho do sol e toda a paz que tudo
isso traz. Eu quero ver outra vez o por do sol ao lado seu.
Logo eu completo uma página, frente e verso, completos. Confissões
de um coração apaixonado e amedrontado. Tudo em uma carta que quase certamente
jamais encontrará tuas mãos; uma carta sobre a qual você talvez jamais saiba;
sobre a qual teus olhos jamais pousem ou sobre a qual eu jamais te conte.
Cristiano, eu estou apaixonada por você. É você o meu crush, e
automaticamente, eu sou a mina do teu shipp.
Enfim, me despeço aqui. Fique com Deus, seja feliz, e que essas
palavras não tenham o poder de mudar a nossa amizade.

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