Já vai
fazer dois anos. Em minha memória, parece que foi ontem, mas bem eu sei que não
foi. Ainda me lembro claramente daquela madrugada, na qual eu me senti
finalmente estar soterrada em sentimentos que eu não era capaz de identificar.
Eu, na verdade, não sentia nada exceto uma dor tão grande que parecia querer me
engolir, e ao mesmo tempo, um “amortecimento”, como se não fosse eu que
estivesse vivendo, ou como se eu fosse somente uma “casca vazia a passar pela
vida”. A vontade de chorar me dominava, mas meus olhos permaneciam secos. Os
falsos sorrisos e “estou bem” regiam meus dias. Eu lia, escrevia, desenhava,
dormia e assistia; durante um tempo até adiantou, mas um dia, o vazio tornou-se
grande demais, e então, nada do que eu fazia adiantava. Antes daquela madrugada,
há muito tempo eu já buscava outro modo de eliminar aquela dor para quando o
que eu fazia já não fosse o suficiente. E esse dia chegou.
Naquela
madrugada, pela primeira vez eu desmontei um apontador. Naquela madrugada, pela
primeira vez eu deslizei uma lâmina contra minha pele, mas apenas um corte não
foi o suficiente para que tudo aquilo passasse. Naquela madrugada, uma nova
fase se iniciou em minha vida. Naquela madrugada, eu embarquei em uma luta
quase impossível de ser vencida. Uma luta que jamais seria e nem ninguém jamais
foi capaz de vencer por si só. Uma luta sem fim, uma luta que eu luto todos os
dias, e que eu sei que vou vencer um dia, pois Cristo luta por mim; Ele não só luta
como já venceu essa batalha na Cruz. Nessa luta, entretanto, eu já ganhei mais
marcas do que achei que seria possível; mais marcas do que posso contar. Marcas
em meu corpo e em minha alma.
Essa
luta agora terá um fim, e serei eu a vencedora, pois deixei de lutar sozinha,
como por tanto tempo insisti em lutar.
Já vai
fazer dois anos, que eu luto, luto pelo fim desse vicio. Se às vezes eu falho?
Sim, assim como ocorre com todos os vícios. Mas eu estou lutando, e eu vou
lutar até ganhar, ou o mais próximo disso que eu possa chegar.
Já
vai fazer dois anos, mas essa data não deve significar dor, mas sim esperança.
Não deve ser a marca do principio da luta, mas sim o marco de que “tudo posso
nAquele que me fortalece.” Deve ser a marca de que Cristo me trouxe mais uma
vez a paz, o amor próprio, a felicidade, a vida, e acima de tudo, me deu a
chance de viver junto ao Seu lado na eternidade.
Então
sim, vai fazer dois anos, mas também vai fazer dois anos que eu pude começar a
entender que independente de como eu ou você estamos, que independente do quão fundo
nos encontramos no poço, não importa o quanto negamos o amor infinito do Pai,
Ele ainda nos busca, limpa do mal, protege, ama e perdoa.
Por: Liliane, 11.05.2016
13hrs44min
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