quarta-feira, 13 de julho de 2016

Cartas à Cristiano - Carta Seis

Sorocaba, 10 de Julho de 2016

   Oie Cristiano...
                             Já tem um tempo que não escrevo... Acho que vinte dias, por aí. Mas não vou pedir desculpas. Eu estou tentando mais do que já tentava antes tirar você da minha mente, tentando mais ainda me "desapaixonar", se é que essa palavra existe. Cansei de sofrer pelo que pode não passar de uma mera ilusão do coração apaixonado que arrasta todo o corpo para a ilusão. Cansei de sentir ciúmes de alguém que nunca foi e talvez nada será meu. Na verdade, é sim algo, por mais que as vezes eu pense que você desistiu. Você é meu amigo. É meu crush também, mas contra isso você não tem muitos meios de lutar. Só que eu não quero mais isso, Cristiano. Ignorada, esquecida, substituída... Nada. É assim que comecei a me sentir, é isso o que sinto que sou, mas talvez você nem sequer saiba disso. "É incrível o que um sorriso e algumas palavras podem esconder."
   Eu tento falar com você, mas você sempre está cercado por pessoas. Eu não sou o tipo de pessoa que entra no meio de uma aglomeração só pra falar com uma pessoa. Mesmo que essa pessoa seja meu crush. Na verdade, às vezes eu entro, mas só por ter certeza que serei bem vinda, não serei rejeitada por ninguém da "aglomeração". 
   Mas veja o contraste: enquanto você geralmente está rodeado por pessoas, eu geralmente estou rodeada por ar, ou seja, sozinha. Na verdade, nem sempre estou sozinha, mas geralmente é o que acontece, como expliquei na última carta. 
   Cristiano, eu já sei quando você começou a meio que me ignorar. Foi quando eu disse que talvez estivesse gostando do Fernando*. Saiba que não estou. Foi como uma ilusão, só que ao contrário do que sinto por você, isso foi rápido. Rápido até demais para que pudesse ser comparado a até mesmo uma paixonite. Cristiano, é por você que estou apaixonada, e não consigo esconder isso de mim mesma, mas também não consigo eliminar esse sentimento que está mais machucando que qualquer outra coisa. Antes, eu mal tentava esquecer você, mas agora vou lutar, lutar com tudo o que posso, contra isso. Eu quero esquecer isso também pois assim, eu sei, conseguirei finalmente dizer para você que estou (estava) apaixonada por você. Isso é estranho em mim: enquanto gosto de alguém, não consigo dizer a esse alguém que gosto dele. No momento o alguém é você. Só consigo, em 9/10 casos dizer que já gostei quando o sentimento para de existir. Obviamente, existem exceções, mas sinto que você não será uma delas. 
   Agora, mudando de assunto, sinta-se honrado: enquanto estou no vácuo, estou escrevendo essa carta. Agora é 0hrs01 do dia 11, e aqui estou, mesmo tendo do dia 9 para o 10 apenas 5hrs de sono. O dia hoje foi cansativo. Hoje eu toquei na fanfarra, e foi inevitável lembrar como você disse que mandaria pelo menos uma mensagem para mim no dia que eu fosse tocar. Isso não aconteceu, e isso doeu um pouco. Mais do que meu ombro está doendo por ter ficado aproximadamente duas horas segurando um instrumento pesado, mais do que meus braços estão doendo de exaustão, mais do que doeu na hora que derrubei o instrumento no meu pé. Isso doeu mais porque doeu no meu coração. 
   Enfim, vou dar tchau agora. Estou cansada, meus braços estão doendo e estou com sono. Fique com Deus.
Liliane, 11.06.2016


* Nome fictício

Nenhum comentário: